Marcelândia: Menina de 2 anos morre com 90% do corpo queimado

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Marcelândia: Menina de 2 anos morre com 90% do corpo queimado

revistacrescer.globo.com   

27 de Novembro de 2019 as 09:12

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Uma família de Bombinhas, Santa Catarina, que mudou há pouco tempo para Marcelândia, no Mato Grosso, viveu um verdadeiro pesadelo na última semana. Uma garrafa de álcool que estava perto do fogão a lenha explodiu, atingindo Sarah, de apenas 2 anos e 5 meses. A menina teve 90% do corpo queimado. O acidente aconteceu na última terça-feira (19). Ela chegou a ser levada para o hospital, mas não resistiu e acabou morrendo no dia seguinte. Em entrevista à CRESCER, o pai, João Gonçalves, 27 anos, contou detalhes sobre como tudo aconteceu.

"Mudamos há cerca de um mês para a fazenda. Estávamos muito felizes. Havíamos conseguido realizar os desejos de Sarah, de ter dois gatinhos e um cachorrinho. Aqui, ela tinha balanço, ela se sentia livre, estava muito feliz. Nesse dia, acordamos e ela foi ajudar a mãe a lavar a área. Depois, a chamei e fomos para o balanço. Eu a balancei; ela estava toda alegre. Tomamos nosso café da manhã juntos e eu saí a alguns metros de casa para conseguir sinal de telefone, pois precisava correr atrás de patrocínio para o meu projeto social. Enquanto isso, minha mulher e minha filha foram colher gravetos para o fogão a lenha. Minha esposa conta que usou álcool e gravetos para acender o fogão e largou a garrafa com um pouco de álcool no chão, a cerca de meio metro do fogão. Ela se virou para pegar uma panela e quando viu, o fogo já estava em Sarah. Ela acredita que um graveto tenha caído do fogão e atingido a garrafa, fazendo com que ela explodisse. Eu ouvi o barulho e sai correndo. Quando cheguei, minha mulher estava, desesperadamente, tentando apagar o fogo e acabou queimando os pés e as mãos. Peguei minha filha no colo, apaguei o fogo, coloquei ela no meu peito e corremos para o hospital. Chegamos lá, oramos e pedimos a Deus pela vida dela. Os médicos deram sedativo, limparam e esterilizaram Sarah. Depois, ela foi transferida para a UTI de uma cidade vizinha. Ela não gritou, não sofreu, não chorou. Não expressou nenhuma dor, Graças a Deus. Ela ficava apenas olhando com aquele olhar de quem não estava entendendo nada - e esse foi um dos momentos mais fortes para mim. Eles a enfaixaram e fizeram procedimentos de limpeza. Lembro que ela estava acordada e me pedia muita água. Teve uma hora em que ela disse que estava com fome e depois começou a dizer: — Papai, eu quero o teu colo. — Nesse momento, eu pedi para ela ter calma e orar comigo. E oramos o Santo Anjo todinho juntos. Nós chegamos a conseguir um avião de UTI para levá-la para Cuiabá, onde tinha mais recursos. Estava tudo certo, mas ela não resistiu e morreu pouco antes, por conta da gravidade das queimaduras. Sarah teve 90% do corpinho atingido. Ela mudou a nossa vida, a vida da nossa família e tem mudado a de muita gente depois do acontecido. Ela trouxe muita paz, amor, alegria e deixou uma saudade enorme. Apesar de tudo, agradecemos a Deus por ter tido essa benção na nossa vida."

Márcia Pinheiro, a mãe de Sarah, teve queimaduras nos pés e mãos, mas está em casa se recuperando. Pelas redes sociais, ela lamentou a morte da filha. "Que tristeza e saudade de você, minha vida. Tá sendo tão difícil", escreveu. A polícia civil informou que não está investigando o caso.



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