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Médicos confundem meningite com sinusite e garoto é internado

Publicado dia 10/03/2019 às 13h36min | Atualizado dia 11/03/2019 às 09h20min
Adolescente é da capital e visitava a família em Santos. Laudo de meningite foi confirmado pela Santa Casa de São Paulo.

Um menino de 14 anos teve meningite confirmada após passar o Carnaval com a família em Santos, no litoral de São Paulo. Inicialmente, o paulista João Vitor de Alcântara foi diagnosticado com sinusite após ser levado dois dias seguidos para a UPA Central da cidade, com queixa de fortes dores na cabeça. De acordo com o tio, o adolescente só foi diagnosticado com meningite ao ser levado às pressas para Santa Casa de São Paulo.

"Estou indignado com o atendimento médico e a triagem da UPA de Santos. Um total descaso", afirma o tio do adolescente, Roberto Mendes, de 33 anos. Ele conta que o sobrinho tem diabetes e deu entrada na UPA na noite de domingo (3) com queixas de fortes dores na região frontal da cabeça e com o nível glicêmico alto.

Após passar pela triagem, segundo Roberto, o garoto esperou por horas pelo atendimento médico. O menino tomou soro, medicação na veia e fez um exame de sangue. Na manhã da segunda-feira (4), as dores de João persistiram e o nível de glicemia também aumentou. "Retornamos ao hospital e, após aguardar novamente para a análise do exame de sangue, mesmo com o quadro de piora dele, a médica alegou que não era necessário outros procedimentos e o diagnosticou com sinusite".

João Vitor continuou com fortes dores e foi levado às pressas ao Pronto Socorro da Barra Funda, em São Paulo. O médico pediu que o garoto tentasse posicionar o queixo sobre o peito e ele não conseguiu realizar o movimento. Houve a suspeita de meningite e ele foi levado de ambulância para a Santa Casa de São Paulo, onde foi confirmada a doença.

O jovem segue internado em isolamento, recebendo o tratamento adequado. "É inaceitável não ter sido feito este protocolo padrão na UPA por nenhum dos médicos. O médico mesmo destacou isso e reforçou o quanto a doença é perigosa, principalmente por ser letal e transmissível", destaca.

O G1 entrou em contato com a Santa Casa de São Paulo para saber o estado de saúde de João Vitor. Em nota, a unidade confirmou que o garoto segue internado, com estado de saúde estável, mas ainda não há confirmação se a meningite é bacteriana ou viral.

De acordo com a Secretaria de Saúde a meningite é uma doença que atinge o sistema nervoso, caracterizada por um processo inflamatório atingindo a membrana que envolve o cérebro e a medula espinhal das pessoas. Mais frequentemente é ocasionada por vírus ou bactéria. Alguns casos podem evoluir a óbito ou a um dano no cérebro mais grave deixando sequelas.

O tipo de tratamento depende do agente que causa a doença: vírus, bactéria, fungos, parasitos, outros. Nas meningites bacterianas é importante conhecer o tipo de bactéria envolvida de forma a possibilitar o tratamento correto. Para isso é necessário realizar exames para confirmar a meningite. A doença é transmitida quando pequenas gotas de saliva da pessoa infectada entram em contato com as mucosas do nariz ou da boca de um indivíduo saudável.

Saúde Pública

Roberto Mendes, tio de João Vitor, informou que registrou o caso, com o laudo médico do sobrinho, na ouvidoria da Prefeitura de Santos, na madrugada desta sexta-feira (8). Após a confirmação do caso, o G1 entrou em contato com a Prefeitura de Santos, mas até a última atualização desta reportagem não teve retorno sobre o assunto.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a Seção de Vigilância Epidemiológica (Seviep) monitora o caso e realizou, nesta sexta-feira (8), novos contatos com o Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE), do governo estadual. Ainda não há dados conclusivos do tipo de meningite do paciente e, de acordo com as informações repassadas pelo órgão estadual, a ficha de notificação aponta que não há sinais e características de meningite meningocócica, como erupções e manchas avermelhadas no corpo do paciente.

De acordo com a pasta, este tipo da doença é que exige a realização de profilaxia (uso de antibióticos) nas pessoas que tiveram contato íntimo prolongado com o possível portador, como amigos e familiares. A indicação do órgão de Vigilância estadual é de se tratar de meningite viral, que não exige profilaxia.

 

Fonte: 24 Horas News