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MT tem o gás mais caro do Brasil e Sorriso tem o 3º mais caro do estado
Fonte: RDNEWS
25 de Abril de 2022 as 08:46
MT tem o gás mais caro do Brasil e Sorriso tem o 3º mais caro do estado
ANP

Mato Grosso é o estado com o valor do botijão mais caro em todo o país. Segundo o levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), um botijão de gás de 13 kg já chega a custar R$ 160 no interior do estado. Ao , distribuidores revelaram que o aumento constante nos setores da logística comercial fazem com que seja impossível não repassar o aumento para o consumidor.

A pesquisa foi realizada nos dias 10 e 16 de abril, com dados coletados em 3.881 postos do Brasil. Em Mato Grosso foram 78 postos pesquisados, em 5 municípios, sendo eles Alta Floresta, Cuiabá, Sinop, Sorriso e Várzea Grande.

Os 3 grandes destaques da pesquisa estão com Sinop, Alta Floresta e Sorriso, cidades nas quais o gás custa entre R$ 140 a R$ 160 e R$ 145 a R$ 150, respectivamente. Já Cuiabá aparece como o lugar onde se pode encontrar o produto de forma mais barata, por no mínimo  R$109. 

Na capital, o atendente da distribuidora da Ultragás, Luiz Pedro, afirmou que nos últimos tempos tem percebido o valor do produto aumentando em intervalos cada vez mais curtos. “Hoje nosso gás está saindo por R$ 140, e não tem como não repassar o valor para o consumidor, porque está tudo caro, gasolina, água, energia”, ressaltou.

De acordo com o representante comercial, o acréscimo constante prejudica a venda. “Com esse aumento, com certeza as vendas caem, o pessoal acaba utilizando menos para durar mais”. 

Em Alta Floresta (789,5 km de Cuiabá), a comerciante Maria Rodrigues, que vende o produto a R$ 150, explica que o valor é uma somatória de impostos, fretes e valor do combustível.

“O consumidor reclama, mas não entende como é o processo para comercializar o gás. A gente paga tudo: frete, que é caríssimo, combustível, imposto municipal, estadual e federal. Caso fosse só o gás que aumentasse ainda tinha como segurar, mas não tá tudo caro”, destacou Maria.

“Há pouco tempo teve um aumento de 16%, um absurdo. Foi dito que teria um desconto, mas até agora nada. Não podemos trabalhar no vermelho e aí o preço é repassado, não tem jeito. Uns 80% dos consumidores reclamam do valor, mas a gente não tem culpa”, concluiu a comerciante de Alta Floresta.

Em março, a Petrobras anunciou o aumento de 16% no valor do gás, com o reajuste, o produto passou de  R$ 3,86 para R$ 4,48 o quilo. Contudo, no começo de abril, a petroleira diminuiu o preço médio de venda de GLP de R$ 4,48 para R$ 4,23 por kg, resultando em R$ 54,94 por 13kg. Com isso, o preço teria uma redução média de 5,58%, a partir de abril.

O GÁS MAIS CARO DO BRASIL

Há 479,4 km de Cuiabá, em Sinop, segundo a pesquisa da ANP, é onde o gás está com o valor mais caro do país. Com o valor máximo de R$160, comerciantes também revelam enfrentar as dificuldades da logística e custo de comercialização do produto.

“Eu vendo o gás aqui por em média R$ 150, não tem como sair por menos que isso. O custo é muito alto, e enfrentamos reajustes constantemente, tem que ponderar não dá para trabalhar sem ter rentabilidade”, explicou um dos revendedores da cidade - que preferiu não ter a identidade revelada.

“Os consumidores colocam a culpa na gente, mas quando a Petrobras aumenta o valor é de um dia para outro e temos que acompanhar. Agora quando é para diminuir demora um ou dois dias, e isso gera toda uma mudança de logística. É complicado. Aqui na cidade, por exemplo, tem empresas que não tem caminhão próprio, e isso é mais um fator logístico que afeta o preço”, detalhou o comerciante de Sinop. 

“Tá tudo caro, e eu acredito se a gente não repassar para o consumidor e for ficar no vermelho é melhor fechar as portas”, finalizou.

Santa Catarina, Pará e Rondônia ocupam o segundo lugar com o valor máximo de R$150. No Distrito Federal o produto é vendido por no máximo R$119,99, o preço mais barato do país. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no último ano, o preço do gás de cozinha no Brasil para o consumidor final aumentou em 29,56%, número muito acima da inflação.